Sobre o Evento 300 Anos das Minas do Paranapanema

300 Anos das Minas do Paranapanema

O Primeiro Evento Turístico de Ribeirão Grande

Como tudo começou

POR – Cristina Fachini, pesquisadora APTA Regional, Capão Bonito.

Há 12 anos atrás, em 2005, cheguei em Capão Bonito para trabalhar na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), conhecida por aqui como Estação Experimental. Desde aquela época conheci diversas iniciativas privadas ou do poder público em alavancar o turismo regional. Sempre me chamou muita a atenção no potencial que a região tem para desenvolver o turismo local, não apenas associado às belezas naturais, mas também pela diversidade de manifestações culturais ainda presentes por aqui. Por isso mesmo, após um longo percurso dentro da minha própria instituição de pesquisa, resolvi voltar à região e dedicar minha pesquisa de doutorado nas relações entre patrimônio e turismo na Bacia do Rio das Almas.
Parte do meu trabalho de pesquisa foi levantar documentos que contassem a história desse território. Foi aí que eu me deparei com um documento que foi escrito em 1959 pelo historiador Aluísio de Almeida sobre o Vale do Paranapanema, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Nas várias páginas do documento, o historiador conta sobre a implementação das Minas do Paranapanema. As Minas do Paranapanema foram oficialmente reconhecidas pela Coroa Portuguesa em 21 de Novembro de 1717. Se você fizer as contas verá que em 21 de novembro desse ano essa data completará 300 anos desse acontecimento.
Porque essa data é importante? Porque resolvemos celebrar essa data?
Não podemos dizer que a história desse território começa a partir dessa data. Há mais de 12000 anos atrás, indígenas já haviam habitado essa região e, desde lá até 1717, muitas tribos de diferentes tradições indígenas transitaram por esse território. Tupiguaranis e Kaigangs estavam presentes na região entre o Vale do Ribeira e do Parapanema na chegada de portugueses e espanhóis e africanos por essas bandas.
Espanhóis e portugueses começaram a povoar o litoral do atual Estado de São Paulo em busca do ouro, e as notícias das descobertas de ouro foram se espalhando, até que os portugueses resolveram demarcar território através da construção de casas de fundição, postos de guarda e concessões de exploração de ouro nas sesmarias. Foi assim que o Vale do Ribeira começou a ser povoado desde o litoral, subindo mata adentro, passando pelos arraiais de Ivaporunduva, Iporanga, Apiaí, Xiririca (atual Eldorado) até chegar ao Paranapanema.
As Minas do Paranapanema abrangiam uma área que hoje é ocupada pelos municípios de Ribeirão Grande, Capão Bonito e Guapiara. Mas essa data é especialmente importante para Ribeirão Grande, porque é nesse município onde se encontram os vestígios mais conservados do período de Mineração de ouro, os encanados. 21 de novembro de 1717 é, portanto, a data representativa do período onde foram construídos os encanados, que são muros (arrimos) de pedras que alteraram o leito de importantes rios que cruzam Ribeirão Grande, Guapiara e Capão Bonito, deixando marca visíveis até hoje. Essas pedras são parte da história dessa região, e contam não apenas sobre a exploração do ouro por aqui, mas também, se sabe que houve um encontro (nada pacífico) entre indígenas, portugueses, espanhóis, jesuítas e africanos. Que escravos recortaram e moldaram os rios e essa mudança é visível até hoje.
Ao longo das buscas e realização da minha pesquisa encontrei e fiz amigos que também são conhecedores das histórias da mineração. Nesse grupo, entre tantos outros conhecedores da história local, estão José Roberto (o Zé do Jipe), Pedro (Junior) e criador do Blog “As minas do Paranapanema”, Edil – o mapeador oficial de RG, e a Sonia, promotora e articuladora das políticas públicas para o turismo e cultura em Ribeirão Grande.
Principalmente por acreditar que o turismo é uma alternativa viável e importante para geração de emprego e renda para o município, sabendo do interesse do poder público municipal em desenvolver o turismo no município, o grupo se juntou e resolveu organizar esse evento em parceria com a prefeitura de Ribeirão Grande para divulgar essa data, um pouco da história desse território, e tornar acessível a visitação de alguns pontos onde os encanados ainda estão conservados.
Convidamos você a participar conosco nessa ideia.
Nos posts seguintes contaremos mais sobre os encanados, detalhes do evento.
Depoimentos:
Pedro – Junior:
Sempre gostei da história, desde criança. E ao mesmo tempo, surge a oportunidade de se explorar algo a mais no nosso município, até então desconhecido. Além do mais não é qualquer um que tem 300 anos no calendário para comemorar. Espero que através dessa iniciativa, a população possa entender um pouco mais o valor da nossa cultura, e que novas ideias possam surgir a partir de agora.
Sonia:
O turismo está em minha vida desde que conheci o Zé do Jipe e me casei com ele. Sempre trabalhamos para promover todas as nossas riquezas naturais, eu acredito no turismo em nossa região que é cheio de histórias, gastronomia e muita cultura local. Quando recebemos o convite da Prefeita Eliana para desenvolver Ribeirão Grande turisticamente foi uma realização, pois acreditamos na união das forças poder público, setor privado e comunidade, todos envolvidos por um ideal, para manter viva a nossa história e ainda gerar renda e preservar a Natureza.
José Roberto Martins ( Zé do Jipe):
Há mais de 25 anos comecei explorar as áreas de matas nativas de nossa região, foi amor a primeira vista, admirado com com tantas belezas comecei a imaginar em alguma maneira para que mais pessoas também pudessem contemplar a exuberância de nossas matas. Comecei então a convidar parentes e amigos para conhecerem cachoeiras,corredeiras, nascentes, mirantes, etc… mais tarde tomei consciência que o que estava fazendo era turismo, aí veio a fase de estudos e preparação para poder fazer algo mais profissional e as descobertas que a nossa região não é rica só de belezas naturais mas também tem atrativos históricos,culturais, gastronômicos entre outros.
Assim nasceu a JIPE ZERO 4X4 uma empresa que desenvolve e opera passeios na região, alem de outras iniciativas relacionadas ao desenvolvimento do turismo regional. Agora fazendo parte do grupo Amigos de Ribeirão Grande e com apoio da Pref. Municipal, estaremos em novembro próximo comemorando os 300 anos da descoberta das Minas do Paranapanema.
Abraço a todos
JIPE ZERO 4X4, Mata Atlântica conhecer par preservar.
 Edil Queiroz de Araujo: 
Eu gosto muito da região onde vivo e sempre me interessei por ela. Com esse sentimento sempre idealizei reunir informações sobre os lugares de forma que o conhecimento estivesse ao alcance de todos, e que o mesmo não se perdesse.
Meu interesse pela história e conhecimento local começa na infância mesmo. Não conhecia praticamente nada sobre onde vivia, mas tinha uma enorme curiosidade sobre o espaço a minha volta. Queria saber sobre os bairros e comunidades existentes, rios, história da formação dos lugares e o que mais existisse em cada pedaço de chão.
Com o passar do tempo minhas atividades tomaram um rumo interessante, em 2006 entrei para o servidorismo público e então em meados de 2010 estava em um cenário onde precisava produzir mapas da região para diversos fins, mas não era fácil conseguir boa informação, e quando isto era possível, existiam restrições. Surgiu disso o projeto RGM, “Ribeirão Grande em Mapas”. Ao longo do tempo apareceram pessoas maravilhosas em diversos momentos, inclusive procurando fazer algo pela região também, dentre elas aquelas se tornaram integrantes do Grupo Amigos de Ribeirão Grande.
Foi em 2012, através de uma oportunidade através do Programa Acessa SP que participei da 11ª OID (Oficina de Inclusão Digital) em Porto Alegre, onde dentre as oficinas conheci realmente o OSM e que os mapas livres seriam a solução.
Em 2013 o projeto RGM teve um importante reconhecimento estadual através do Prêmio Acessa SP. Em 2016, já com um trabalho de conscientização chamado “Conhecer OSM”, ganha destaque no prêmio OSM Awards 2016.
Em 2017 tem início o projeto Mapa de Ribeirão Grande, que ganha apoio da Prefeitura Municipal. Nesse momento favorável, acredito na colaboração e parceria como forma trazer oportunidades para nossa região.

Grupo Amigos de Ribeirão Grande

  • Sonia Araujo – Coordenadora de Turismo
  • Zé do Jipe – Jipe Zero 4×4
  • Cristina Fachini – Doutorado NEPAM em Ambiente e Sociedade · Campinas
  • Pedro Antonio Junior (Junior Intervales) – Historiador – Minas do Paranapanema
  • Edil Queiroz de Araujo – Mapa de Ribeirão Grande – Mapeador/Contribuidor voluntário do OpenStreetMap
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