300 ANOS DAS MINAS DO PARANAPANEMA – PARTE 2

 

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Os vestígios arqueológicos das Minas do Paranapanema

21 de novembro de 1717 é uma data representativa do período onde foram construídos os encanados, que são muros (arrimos) de pedras que alteraram o leito de importantes rios que cruzam Ribeirão Grande, Guapiara e Capão Bonito, deixando marca visíveis até hoje. Essa data é especialmente importante para Ribeirão Grande, porque é nesse município onde se encontram os vestígios mais conversados do período de Mineração de ouro, os encanados.

Essas pedras são parte da história dessa região, e contam não apenas sobre a exploração do ouro por aqui, mas também, se sabe que houve um encontro (nada pacífico) entre indígenas, portugueses, espanhóis, jesuítas e africanos. Que escravos de braços muito fortes recortaram e moldaram os rios e essa mudança é visível até hoje.

Nesses rios, encontram-se os vestígios de mineração aurífera chamados de “encanados”, que são os arrimos de pedra construídos nos leitos dos cursos d’agua, para alterar seu fluxo e ainda facilitar a busca do ouro de aluvião. Também constam sítios arqueológicos com outros vestígios de mineração como lavras a céu aberto.

O tamanho das pedras usadas para redefinir os leitos dos rios, bem como a larga extensão dessas construções, traz a ideia de uma grande força de trabalho humano necessária para o feito. Pouco se sabe, porém, sobre quais foram as mãos que a executaram. Sobre esse assunto, o historiador Francisco de Assis Carvalho Franco, descreveu em seu livro Bandeiras e Bandeirantes de São Paulo, que em 1728 o governador Antônio da Silva Caldeira Pimentel esteve pessoalmente nas Minas do Paranapanema para implementar um imposto chamado “chapins da rainha”, com base na existência de novecentos e quarenta escravos que ali trabalhavam nas minas.

Ribeirão Grande é, portanto, um importante município do Estado de São Paulo em volume de sítios arqueológicos devido a dois fatores:

O primeiro é que Ribeirão Grande possui 15% de todas as reservas de calcário lavráveis do Estado de São Paulo (Sallun; Sallun Filho, 2009) atreladas à presença de empresas de mineração na área, motivou políticos locais a tornarem esse território independente de Capão Bonito em 19 de maio de 1993, fruto, dentre tantos outros motivos, da disputa pelos impostos advindos das atividades de mineração, que ficaram exclusivamente para o município recém-criado. A presença da atividade de mineração de calcário e as exigências ambientais referentes aos estudos de impacto ambiental, ainda tornou o município um dos maiores em concentração de sítios arqueológicos registrados como patrimônio nacional em São Paulo¹.

O segundo é que a área sul do município de Ribeirão Grande está coberta pela Mata Atlântica protegida pelo Parque Estadual Intervales e pela Estação Ecológica de Xitué. A gestão, manejo dessas áreas exige levantamentos e estudos da existência do patrimônio histórico-cultural e arqueológico presentes ali. Dessa forma, durante os estudos realizados nos Planos de Manejo dessas unidades também foram identificados sítios arqueológicos dos encanados nessas áreas.

Devidos aos estudos e levantamentos arqueológicos elaborados dentro da área de Ribeirão Grande foram encontrados e cadastrados mais de 10 sítios arqueológicos do referentes as atividades de da mineração de ouro no período colonial.

Ribeirão Grande é, portanto, um importante exemplo do patrimônio arqueológico existente no Brasil ainda a ser conhecido!

  1. Segundo as informações do Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos fornecidos via web pelo IPHAN, Ribeirão Grande é o décimo terceiro município do Estado de São Paulo em número de sítios arqueológicos cadastrados, concentrando 22 sítios, representando aproximadamente 2% do total de registros no CNSA no estado (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN), 2014).

 

Autoria – Amigos de Ribeirão Grande

  • Dra. Cristina Fachini, pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, pesquisadora associada ao Laboratório de Arqueologia Pública – NEPAM-UNICAMP.
  • Colaboração
  • Sonia Araújo – Coordenadora de Turismo de Ribeirão Grande
  • Zé do Jipe – Proprietário da empresa de Turismo Jipe Zero 4×4
  • Pedro Antônio Junior – Historiador
  • Edil Queiroz de Araujo – Responsável pelo projeto Mapa de Ribeirão Grande

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